quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Orgulho nosso de cada dia

O fato:

Imagens mostram tumulto envolvendo aluna com vestido curto em faculdade, Portal G1, 30/10/09

Faculdade abre sindicância após tumulto causado por "pouca roupa" de aluna, Folha de S.Paulo, 29/10/2009


A repercussão:


Estudantes da Universidade de Brasília se despem em protesto contra Uniban – Portal G1 11/11/09

Imprensa Internacional se surpreende com o caso Geyse - A maior parte das reportagens reflete a surpresa dos estrangeiros ao constatar a repercussão em torno de um vestido curto no Brasil, país cuja imagem está intimamente ligada ao carnaval e às praias, onde as mulheres usam biquínis pequenos. O caso foi citado em sites de jornais como os americanos The New York Times e Washington Post, o inglês The Guardian, o espanhol El País e o argentino Clarín. Folha de S.Paulo.

Apresentadora Sabrina Sato vai à universidade com vestido curto rosa em "homenagem" a Geisy, Folha de S.Paulo - Se para os manifestantes os alunos gritaram "Fora! Fora!", para Sabrina Sato os gritos foram o oposto: "Fica! Fica".

Os comentários:

“Ela foi comparada pelo apresentador a Maria Madalena no programa "Geraldo Brasil", da Record”. Folha de S.Paulo, 31/10/2009

“...muitos homens que são incopetentes, imaturos, pra se relacionar com uma mulher de forma madura: Resumindo tudo bambi. Depois chamam gaúchos de gay, o Brasil precisa rever seu conceito. As piadas de gays apartir de agora eu troco por paulista em vez de gauchos” Comentários do vídeo de Geyse no Youtube.

+ 3.678.987 palavrões em comentários de Youtube

As conclusões:

Caso da Uniban mostra que falta avançar na igualdade entre gêneros – Portal G1 12/11/09

A colheita:

Após escândalo da minissaia, Geisy muda o visual - Cabelereiro Julinho do Carmo foi o responsável pela transformação. Ego notícias, 12/11/09

Tumulto na Uniban ganha axé de protesto no YouTube – Portal G1 12/11/09


Sou estrangeira aqui, aí e em todo lugar.

Mary de Salve

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A mamata do Welfare State e seus frutos

A Ministra de Assuntos Sociais e Família da República da Irlanda, Maria Hanafin, declarou ontem que haverá algumas mudanças na mamata do Welfare State Irlandês no próximo mês.

Em entrevista à RTÉ Frontline ontem, ela disparou: “a política do Bem-estar social é responsável por 37% de todo o orçamento do governo, não podemos mantê-la nesse nível. Isso tem que ser cortado, pois é insustentável ".

Uma das medidas para essa redução será criar três diferentes taxas de pagamentos de benefícios para crianças, reduzindo o valor que os pais recebem por cada filho que têm por aqui.

A Ministra disse ainda na reunião parlamentar do partido de Fianna Fáil que ao reduzir 1 € de cada beneficiário, pode-se formar uma poupança de € 81.3 milhões em um ano. Esse pessoal tem mesmo grana pra gastar, não? Se a medida for mesmo aprovada, mais de 1,5 milhão de irlandeses, naturalizados e agregados europeus serão afetados.

E a notícia parece que esquentou o clima frio aqui da Irlanda. A RTÉ teve que interromper o programa quando um membro da platéia começou a atacar o apresentador Pat Kenny que entrevistava a ministra. Um homem de meia idade disparou ofensas ao apresentador, dizendo que ele não tinha o direito de pontuar sobre o bem-estar social de pessoas que não tem como se sustentar. A discussão seguiu por quatro minutos em rede nacional, isso é que é liberdade de expressão!

Frutos da mordomia européia


Agora pense só. Receber um salário auxílio do governo enquanto se está desempregado (por longo período, não só 3 meses) de mais ou menos € 197,80 por semana, é um sonho, não? A gente fica feliz até com o auxílio-desemprego aí do Brasil que é uma mixaria, imagina isso! Pois é, some-se a essa quantia o salariozinho que as mães recebem a cada filho que colocam em solos irlandeses. Trabalhar pra que? pensariam alguns...e pode ter certeza que isso não é só pensamento da cultura do jeitinho brasileiro não!

Aqui no centro de Dublin, é possível encontrar pelas ruas grande parte dos irlandeses beneficiados pelo Welfare States. Eles estão nas esquinas marcadas esperando para comprar e passar drogas, com sacolinhas cheia de bebidas, misturas de álcool e algum suco barato, e saquinhos de papel nas mãos com seringas e coquetéis a ponto de bala. São os Junkies ou nakers, como são conhecidos por aqui.

Infelizmente, não é difícil ver em meio a essa turma futuras mães, com a barriga do tamanho de uma melancia, injetando, cheirando, fumando e bebendo, sem constragimento algum. Parte deles passa uma vez por semana na sede do Post Office pra receber seu dinheirinho do governo, com isso garantem a birita e o baque semanal, e assim continuam nesse ciclo literalmente vicioso.

Pra quem pensa que o grande problema do Brasil é o dinheiro, a distribuição de renda desigual, vale a pena refletir. Claro que uma melhor distribuição de renda, acesso à educação, alimentação, moradia e cultura a todos é algo muito bacana e justo. Mas aqui na Irlanda eles têm tudo isso, e muuuita gente ainda opta por esse tipo de vida de vício.

Que é que tá faltando então, ahn?

Redação e fotos: Mary de Salve
Ouvindo I'll not be Silent - David Crower




sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Don’t get comfortable

Seis meses se passaram, vagarosamente voando! (SIC)

Viver na Europa pode parecer chique e bonito quando se olha no álbum do Orkut, mas a verdade é que a parada é difícil e quem passa por ela, sabe. Mas, ouvindo a música que virou o título do post, relembro que é essa a idéia de aprender a crescer. Ficar confortável no nosso lugar de sempre não ajuda a gente a mudar. Transformação vem ao passar pelo fogo que arde, dói, pelo frio que corta (e aqui a gente sabe bem disso), pelo choque de temperaturas, culturas, temperamentos, gostos e desgostos.

E o processo envolve choro, riso, suor, dúvidas, alguns acertos e muuuitas tentativas. Às vezes incluem uma dose de perda de identidade, e no final das contas você pode perceber que sua identidade não era tão aquela como você pensava que era.

Sair da zona de conforto pode gerar muita confusão mental, dúvida sobre quem é você e sobre o que deve fazer, mas também ajuda a fortalecer sua fé e a perceber o quão pequenininho a gente é.

Ajuda a enxergar a vida sobre outra perspectiva, a do outro. A enxergar a mocinha da padaria com muito mais carinho e paciência, a sentir um pouco da dor da mão calejada de quem todo dia constrói um belo prédio para outros usufruirem do conforto e a ter vontade de conversar com a menina que o dia todo fala a mesma frase diante da máquina registradora.

Sair da zona de conforto também implica a se jogar de cabeça em um mundo em que o legal é ser maldoso, sacana, espertinho, em que dar risada do garoto tímido e faze-lo passar por apuros é “cool” e onde os cargos de chefia geralmente cabem àqueles que sabem pisar bem nas pessoas porque aí elas não darão muito trabalho reinvidicando nada. É muitas vezes ser cercado por tudo isso, e não ter o abraço gostoso dos pais ao chegar em casa, porque eles estão longe.

Mas também é contar com a Graça de Deus e dar de cara com o Amor Dele no braço de algum irmão querido e um amigo de verdade que você consegue ter por perto. (Eu até reclamo de barriga cheia porque tenho o meu melhor amigo ao meu lado, thanks God).

Sair da zona de conforto ensina que as coisas que mais valem a pena são aquelas que você não dá muito valor enquanto perde - Todo o seu - tempo juntando dinheiro pra comprar uma casa, montar seu closet ou fazer 268.456 mil cursos para se preparar para o mercado de trabalho.

Você também percebe que as pessoas ao seu redor estão sedentas por amor e uma palavra de carinho e incentivo, mas podem assustar se você oferece isso porque a cultura vigente não prega esses valores. Ser amável e bondoso é “oldfashion” e por isso é que o Evangelho pode parecer tão ultrapassado para alguns.

Hoje soube da notícia de que um colega querido do antigo trabalho faleceu. Essas coisas doem, fazem pensar, ainda mais quando é alguém jovem e amável como o Leandro e é levado de forma não natural. Ele também era Cristão, e como um seguidor dos passos de Cristo, vivia na contra mão da cultura da maldade, e não se cansava de falar a qualquer um do Amor de Cristo, mesmo que isso soasse tão “oldfashion” , ainda mais a alguém que vivia dentro do mundo da publicidade, um dos mais cults e moderninhos que existem.

Lembrando do exemplo de pessoa que exalava o Amor de Cristo como ele era e olhando ao meu redor, eu chego à conclusão de que eu quero mesmo é viver mais a loucura da Cruz. Essa que nos leva mais perto da sabedoria e simplicidade de Deus, dos gestos simples e de atenção ao próximo.

Não quero não ter tempo para amar as pessoas, nem usar vidas como forma de alcançar postos. Quem são os verdadeiros exemplos, o grande empresário que estampa a capa de revista e sabe fazer milhões em $ ou os simples que arranjam tempo pra amar a qualquer preço?

Vejo que talvez por isso os verdadeiros Grandes desta vida não tenham tanto lugar nesse mundo, talvez seja sempre essa sensação de “não lugar”, de peregrino em terra alheia, como já dizia a “oldfashion” leitura bíblica.

Mas para esses peregrinos, como o Leandro, temos a certeza do belo lugar eterno preparado, ao lado da melhor companhia, nosso Jesus. Lá espero reencontrar meu amigo e tantos outros.

Espero ver você por lá também!

A morte sempre nos traz sofrimento. Mas o sofrimento do cristão é amenizado pela esperança: “...para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem.” I Tessalonicenses 4:13-14

“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, o que Deus tem preparado para aqueles que o Amam.” I Corintios 2:9


Redação e fotos: Mary de Salve


You still there